Mulheres na Fotografia: inspiração e empoderamento

Mulheres na Fotografia: inspiração e empoderamento

O Dia Internacional da mulher é comemorado hoje e não podíamos deixar de homenageá-las. Listamos 6 fotógrafas contemporâneas e pioneiras da história da fotografia que são inspirações para o mundo da fotografia.

 

1) Dorothea Lange 1895 – 1965

Ficou muito conhecida por expor a crise econômica vivida pelos americanos em 1929 e refletiu no mundo inteiro, movimento conhecido como a Grande Depressão. Dorothea Lange nasceu em 1895 nos Estados Unidos, em uma família de imigrantes alemães. Aprendeu a fotografar na Columbia University de Nova Iorque, logo começou a trabalhar como aprendiz em diversos estúdios da cidade,  incluindo o do famoso Arnold Genthe. Em 1919, inaugurou o próprio estúdio de retratos na cidade de São Francisco, onde viveu o resto da vida.

A partir de 1929, com a crise econômica que abalou os Estados Unidos, Lange saiu com sua câmera para fotografar a situação das ruas, percorrendo inúmeros estados retratando a pobreza que assolava o interior naquela época. A partir dessa experiência, tornou-se uma influente fotógrafa documental e fotojornalista conhecida em todo o mundo por seus retratos da Grande Depressão, feitas para a Farm Security Administration. Sua fotografia “Mãe Migrante” se tornou um ícone da Grande Depressão e uma das fotos mais famosas dos mundo. A história dessa fotógrafa é tão incrível que daria para fazer um livro só falando sobre ela, se quiser conhecer mais sobre a sua história, acesse: espm.br

 

  

Fotografia feito por Dorothea Lange | Dorothea Lange

 

2) Gioconda Rizzo – 1897- 2004

Gioconda Rizzo, a primeira mulher se profissionalizar na fotografia no Brasil. Teve influência do seu pai, e aos 14 anos já tinha o seu próprio ateliê. Seu pai apenas permitia fotografar mulheres e crianças. Diferente dos fotógrafos da época, que fotografavam as pessoas de corpo inteiro e geralmente sentadas ou em pé, Gioconda inovou e fazia fotografia enquadrando os ombros e o rosto.  A sua atitude um tanto ousada, chamou a atenção das damas da alta sociedade paulistana. Em pouco tempo‚ ela ganhou fama e clientela própria. As mulheres disputavam horários em seu ateliê ‚ para serem fotografadas por Gioconda.

Em 1916, Gioconda foi obrigada a fechar o seu estúdio e voltou a trabalhar com o seu pai. Começou então a fazer retratos aplicados sobre porcelanas. que eram usadas em pratos, joias‚ enfeites de mesa‚ caixas e túmulos. Gioconda Rizzo viveu até os 107 anos, morreu em 2004, lúcida e com ótima memória, capaz de lembrar detalhes de como foram feitos seus retratos. Veja mais sobre Gioconda em: historiadolivro.com

mulheres na fotografia

Retrato feito por Gioconda | Gioconda e seu trabalho em porcelana

3) Margaret Bourke-White 1904-1971

Ficou conhecida como a primeira fotógrafa estrangeira autorizada a fotografar na União Soviética. Nascida em 1904, nos Estados unidos, Margaret também foi influenciada pelo seu pai e se apaixonou pela fotografia. Começou atuando no anuário da faculdade onde estudada e logo foi chamada para ser Diretora de fotografia. Dois anos depois abriu  o próprio estúdio em seu apartamento, e com o seu sucesso foi chamada para trabalhar na Revista Fortune. Através do seu portfólio, Margaret foi autorizada a Fotografar na União Soviética que se originou em um documentário.

Mas em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, Margaret se tornava a primeira mulher a trabalhar em áreas de conflito militar no maior conflito armado da história. Por ser a única correspondente estrangeira, ela foi responsável de transmitir o cenário de gerra e proporcionar um furo de reportagem para Revista Life. Depois da guerra, ela produziu um livro intitulado Dear Fatherland, Rest Quietly, um projeto que a ajudou a enfrentar a brutalidade que ela havia testemunhado durante e após a guerra. Margaret fotografou o líder indiano Mahatma Gandhi pouco antes do seu assassinato. Margaret Bourke-White morreu em 1971 aos 67 anos.

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Foto de Margaret Bourke-White  | Margaret Bourke-White

 

4) Gerda Taro 1910-1937 

Engajada em questões política e sociais, Gerda Taro foi a fotojornalista que fotografou sobre a Guerra Civil Espanhola. Nasceu em 1910 na Alemanha e com a propagação do Nazismo saiu do seu país de origem e foi para França. Lá conheceu Andre Friedman, também fotógrafo, e juntos foram para Espanha cobrir a Guerra Civil, Eles utilizavam câmeras de 35mm que eram de fácil transporte.

Envolvidos com a guerra, Gerda começou a ter uma posição política como anarquista e Andre como marxista e com isso, foram se distanciando. Gerda então passou a ter uma trabalho mais solo. A reportagem mais importante da sua carreira, foi sobrea primeira fase da Batalha de Brunete. Gerda testemunhou o triunfo republicano na primeira fase da batalha. A reportagem  foi publicada na “Regards” em 22 de Julho de 1937, conquistando assim, notoriedade.
Sua morte foi trágica e acidental, mas Gerda deixou muito aprendizado e inspiração para nós fotógrafos.

Fotografia feita por Gerda Taro | Gerda Taro

 

5) Vivian Maier 1926 – 2009

Fotógrafa americana, Vivian se especializou em fotografia de rua e dedicava o seu tempo livre para fotografar a cidade de Nova Iorque, focando nas ruas, nas pessoas e nos edifícios, sempre em mãos a sua câmera Rolleiflex. Anos depois 1956, quando Maier mudou-se para Chicago, ela desfrutou do luxo de uma câmara escura, isso permitiu que ela processasse suas impressões e desenvolvesse seus próprios rolos de filme B & W. No início de 1970, com o fim do seu emprego, Vivian teve que abandonar o desenvolvimento de seu próprio filme.

Por toda a sua vida, guardou as fotografias, os negativos e fitas de áudio com pequenas entrevistas que fazia com as pessoas que fotografava. Este material só foi descoberto em 2007, por John Maloof, que reconheceu o valor artístico e histórico do material, mas foi somente após a sua morte que houve o reconhecimento do seu trabalho e o material começou a ser reproduzido na internet e em revistas especializadas, além da publicação de livros com o seu acervo e exposições.

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Fotografia feita por Vivian Maier | Vivian Maier

 

6) Cláudia Regina

Paranaense e carioca, Cláudia Regina é atualmente a fotógrafa brasileira mais influente e a mais inspiradora. Cláudia vem lutando contra os padrões sexistas e heterocapitalista, tudo isso ela concretizou em um ensaio, onde mostra a mulher da forma como ela é, e não com apenas o olhar sensual.

“Ao fotografar mulheres, eu não busco enquadrá-las em nenhum padrão de beleza, de sensualidade, de fotogenia. Nada é obrigatório, tudo é permitido. O ensaio mulher é fluido. Como somos todas nós”

Cláudia então fez o “ensaio mulher”, mostrando a mulher na sua forma natural, em preto em branco e sem artifícios para manipular a imagem. Claro que o ensaio foi um grande sucesso e trouxe à tona a reflexão sobre a forma que a mulher se enxerga e como quer ser vista. É um orgulho ter uma fotógrafa desse porte brasileira.

 “As mulheres que fotografo já são pessoas que, ao ver minha proposta, se identificam com o processo de crítica. Muitas vezes são mulheres que também são feministas e a reação, pelo menos a que espero e vejo como resultado, é de se reconhecer no retrato. Aliás, se não é pra se reconhecer no retrato, pra quê um retrato?”

Cláudia é também escritora do Blog “Dicas de fotografia“, onde é dá dicas e informações para quem quer começar a fotografar. Como ela mesma teve dificuldade para aprender sobre fotografia, ela resolveu contar tudo o que ia aprendendo para que outras pessoas também tivessem acesso a informações.
Toda mulher deveria ver um pouco do ensaio desse ensaio incrível, basta acessar: blog.claudiaregina.com

ensaio mulher

 Fotografia feita por Cláudia Regina | Cláudia Regina, feita por Carlos Alberto

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